| DIA | AUTOR | TÍTULO DO TRABALHO | Resumo |
| Coordenador de Mesa: | Agemir Bavaresco | ||
| 14h | https://pucrs.zoom.us/j/99911437093?pwd=TT6WDIzKxHa3KlveGcSyby6QWxRCaR.1 | ||
| 26/11 | Francisco Jozivan Guedes de Lima | Hacia una Propuesta Inclusiva de Organización Democrática | Estudios recientes sobre la crisis de las democracias contemporáneas muestran una fuerte tendencia reaccionaria extremista que ha movido el péndulo más hacia las dictaduras. Las amenazas a los procesos electorales, las libertades, la paridad de participación, los ataques al pluralismo razonable y a las diferencias han devuelto al mundo a un estado de recesión democrática. El Índice de Democracia 20231 publicó que, de 167 países evaluados, solo alrededor del 8% son plenamente democráticos, es decir, (1) respetan el proceso electoral y el pluralismo, (2) tienen un gobierno que funciona bien y con prácticas transparentes a los ciudadanos, (3) garantizar la participación política de todos, (4) tener una cultura política en la que los ciudadanos respeten los valores democráticos, (5) salvaguardar las libertades civiles y repudiar las prácticas autoritarias. Posto ese escenario, es necesario reflexionar a partir de Jürgen Habermas y Iris M. Young acerca de nuevos imperativos de organización de la vida democrática en cuatro paradigmas normativos: liberal, republicano, deliberativo, comunicativo. Lo principal resultado obtenido es que el modelo liberal tiene la ventaja de defender los derechos individuales, pero es deficitario porque es excesivamente individualista; el modelo republicano tiene una inclinación intersubjetiva respecto al integración social de los individuos, pero es deficitario debido a su fuerte idealización socializante de los individuos; el modelo deliberativo tiene robustez participativa procedimental, pero es deficitario del punto de vista de la implementación de las condiciones concretas y materiales de la participación ciudadana. La alternativa de Iris Young es una expansión democrática por medio de la “democracia comunicativa” (saludo, narrativa, retorica) que pueda implementar prácticas horizontales de organización de la vida a los pobres, mujeres, afros, analfabetos. El punto central es que una democracia comunicativa no debe prescindir de los componentes emocionales y de las experiencias de vida de los sujetos que luchan por emancipación. Es necesario escuchar la voz y el clamor de los oprimidos. |
| 26/11 | Camilo Jose Jimica | Anamola e Anamalala: Etimologia, Política e Filosofia da Esperança na Cultura Moçambicana | Este artigo analisa, sob uma perspetiva interdisciplinar que articula etimologia, antropologia linguística, filosofia política e estudos culturais, os termos Anamola e Anamalala na língua macua e o seu crescente papel no campo político moçambicano contemporâneo. A investigação parte da constatação de que a linguagem popular, especialmente quando enraizada em línguas nacionais como o macua, não é um mero reflexo da realidade política, mas um espaço ativo de produção de significado, identidade e utopia. O estudo centra-se no uso estratégico destes termos no contexto eleitoral recente, particularmente associados ao partido Anamola e ao movimento liderado pelo candidato Venâncio Mondlane. Etimologicamente, Anamola deriva de Ana ("eles que têm") e Mola ("dinheiro", na gíria), designando originalmente os ricos, os magnatas ou os "dólarcratas" — uma elite económica frequentemente associada à corrupção, ao enriquecimento ilícito e à violência simbólica e física. A apropriação deste termo como nome oficial de um partido político constitui uma inversão simbólica radical: longe de representar os ricos, o partido Anamola emerge como um movimento popular, majoritariamente jovem e originário de camadas marginalizadas, que se apropria do nome do opressor para deslegitimar o seu poder. Neste sentido, Anamola torna-se um ato de descolonização simbólica, onde a linguagem é usada como instrumento de resistência e reivindicação de espaço político. Já Anamalala, derivado do verbo omala ("acabar, terminar"), na forma intensiva e coletiva (anamala + ala), significa "eles vão acabar mesmo", com ênfase coletiva e emotiva. No discurso político e musical — especialmente nas obras de artistas como Trufafa e MC Bandeira —, o slogan Anamalala converteu-se num grito de mobilização popular contra a corrupção sistémica, a fraude eleitoral, a violência política e o domínio bipartidário historicamente exercido pela FRELIMO e pela RENAMO. Mais do que uma previsão, Anamalala é um ato de fala performativo: ao ser repetido em comícios, redes sociais, canções e espaços comunitários, ele não apenas anuncia o fim do status quo, mas contribui ativamente para a sua realização. O artigo interpreta Anamola e Anamalala como categorias culturais simbólicas que articulam dois espaços fundamentais da experiência coletiva: a escola e a casa. Anamola, enquanto entidade institucional registada nos órgãos eleitorais (CNE, STAE, CC), simboliza a escola — espaço de formação política, resistência organizada, aprendizagem cidadã e luta institucional. Já Anamalala, como nome de rua, de casa, de comunidade, representa a casa — o lugar da pertença emocional, da memória do sofrimento, da identidade cultural e da esperança restauradora. A dialética entre esses dois espaços revela um projeto político mais amplo: o da emancipação através da educação e da reconstrução identitária através da esperança. Do ponto de vista filosófico, a análise mobiliza três pensadores-chave: Ernst Bloch, cuja noção de utopia concreta permite compreender Anamalala como uma esperança ativa e orientadora do presente; Severino Ngoenhá, para quem a palavra é semente e a educação é condição da liberdade, o que ilumina Anamola como um movimento pedagógico de libertação; e Paul Ricoeur, cuja teoria da identidade narrativa ajuda a interpretar Anamalala como a história que o povo moçambicano conta sobre si mesmo — uma narrativa de opressão, resistência e redenção futura. Inspirados ainda em J.L. Austin e Judith Butler, argumentamos que ambos os termos são performativos: não descrevem o mundo, mas o constroem. Nomear-se Anamola é instituir um sujeito político; gritar Anamalala é fabricar uma unidade simbólica e um destino coletivo. Por fim, o artigo esclarece um equívoco central: "Anamola Anamalala" não significa que o partido vá acabar — significa, ao contrário, que o partido Anamola vai acabar com os dólarcratas, com a corrupção e com o monopólio do poder. É um programa de justiça histórica anunciado em língua materna. evento cultural e filosófico de grande profundidade, Conclui-se que a emergência de Anamola e Anamalala no cenário político moçambicano não é um fenómeno meramente linguístico ou retórico, mas um evento cultural e filosófico de grande profundidade, onde a oralidade africana, especialmente na sua expressão macua, se afirma como matriz autónoma de pensamento político, capaz de reinventar a democracia a partir da cultura, da palavra e da esperança. Palavras-chave: Anamola; Anamalala; filosofia africana; etimologia macua; política moçambicana; identidade; esperança; performatividade; escola; casa; utopia concreta; Severino Ngoenhá; Ernst Bloch; Paul Ricoeur. |
| 26/11 | Cristian Marques | A primazia da experiência vivida da mulher negra como critério fundamental para uma ética materialista | Este trabalho, situado no campo da fenomenologia hermenêutica, investiga os fundamentos de uma ética capaz de responder aos desafios das sociedades plurais. Partindo da crítica de que as teorias morais tradicionais, ancoradas em um sujeito transcendental e abstrato, falham em incorporar a materialidade das experiências concretas, propomos que o ponto de partida para uma fundamentação ética robusta deve ser a experiência no mundo da vida (Lebenswelt). O problema central reside, portanto, na necessidade de superar o universalismo ético sem recair no relativismo, tarefa para a qual a fenomenologia da alteridade e a hermenêutica situada se mostram fundamentais. O objetivo é demonstrar como a experiência interseccional da mulher negra, enquanto lugar social de máxima opacidade e negação dentro da modernidade, oferece um acesso privilegiado à compreensão das estruturas do mundo social e das relações de poder que o constituem. Para tanto, o trabalho desenvolve uma análise que articula: 1) a crítica fenomenológica à consciência transcendental, destacando a corporeidade e a historicidade como constitutivas do ser-no-mundo; 2) uma hermenêutica da experiência da mulher negra, interpretada não como caso particular, mas como expressão de uma alteridade radical que desvela as limitações das dicotomias éticas clássicas; e 3) a proposta de uma epoché interseccional, um direcionamento do olhar para o fenômeno específico da invisibilidade, revelando sua estrutura de opressão. Os resultados apontam para a necessidade de uma ética situada e relacional, onde a justiça se define pela capacidade de resposta à heterogeneidade das experiências vividas. Conclui-se que, numa perspectiva fenomenológica-hermenêutica, a primazia epistemológica e ética da experiência da mulher negra não é um gesto identitário, mas metodológico, tornando-se condição indispensável para qualquer projeto ético que aspire à verdadeira pluralidade, fundado não em um a priori transcendental, mas na facticidade do mundo da vida. Palavras-chave: Ética Fenomenológica, Hermenêutica Filosófica, Mulher Negra, Alteridade Radical, Lebenswelt. |
| 26/11 | Fernando Carbonell da Fontoura | Ontologia do Mundo Virtual e do Metaverso: em direção uma ética nos tempos do mundo virtual e do metaverso - Fase 1 | O objetivo desta pesquisa é encontrar novos caminhos para uma ética nos tempos do mundo virtual e do metaverso. Este objetivo será cumprido em uma trilogia, ou seja, três livros. O primeiro, será uma compreensão de que tipo de mundos são esses, portanto, uma ontologia. Este será o objeto deste escrito, a fase um. Em segundo lugar, compreender o que pensam as pessoas que formaram, formam ou têm algum tipo de relação com estes mundos, ou seja, suas noções de convivência, identidade pessoal, sociedade e ética. Esta será o objeto de pesquisa da fase dois. Na fase três da pesquisa tentaremos propor novos caminhos para uma ética nos tempos do mundo virtual e do metaverso, e parar isso faremos uma composição das questões ontológicas e éticas das fases prévias com os conceitos, noções, teorias e sistemas filosóficos que advêm da nossa tradição filosófica ocidental. Testaremos até que ponto o que temos a partir da nossa tradição pode ajudar ou não nos temas e questões relevantes destes novos mundos relativamente à sociedade, à sociabilidade, à identidade pessoal, à ética e à política. A partir desta composição pode-se aventar novos caminhos a percorrer para uma ética nos tempos de mundo virtual e do metaverso. A pesquisa não procura responder com definições “corretas” sobre as questões éticas do mundo virtual e do metaverso e tudo o que implica estes mundos, mas levantar possibilidades que até então, a partir somente da nossa tradição filosófica, não haviam sido aventadas ou que, quando utilizadas, não resolveram em absoluto as questões relacionadas ao mundo virtual e metaverso. É importante salientar que a pesquisa se dá a partir de “fora” destes mundos, por pesquisadores que não nasceram nos tempos do mundo virtual e do metaverso, mas que foram sendo invadidos por estes mundos e foram se adaptando - ou não - no sistema de tentativa-e-erro a um mundo misturado de tecnologias e de gerações que eram exponencialmente diferentes dos seus passados remotos. Uma advertência é importante: não tocaremos no assunto da Inteligência Artificial (IA), embora seja um assunto urgente e muito atual. Nas pesquisas relativas ao mundo virtual e ao metaverso, obviamente que as questões da IA aparecem, mas os caminhos desta discussão são outros e os elementos da relação entre IA e a vida humana, embora se cruzem em alguns momentos com nossa pesquisa, também são diferentes. O foco deste trabalho é o humano, tanto em relação consigo mesmo - a questão da identidade pessoal - quanto a mediação das relações com outros humanos a partir dos mundos virtual e metaverso. Ou seja, o cerne da nossa preocupação ainda é o ser humano e sua humanidade e como se relaciona consigo, com o mundo e com os outros através destes mundos e das tecnologias e processos que fazem parte destes mundos. Na IA, uma das grandes questões relevantes não é somente a relação dela como meio de relação humana, mas como ela pode - e já está fazendo - atuar com outras IAs e prescindir do humano ou da mediação humana. Ou seja, uma rede de IAs que se tornarão autônomas, sem a mediação ou controle humano, mas que levam adiante a execução de protocolos feitos, no princípio, por seres humanos. Como queremos nos ater ao humano, renunciamos neste trabalho uma discussão ou problematização da IA. No entanto, como são mundos que se mesclam ou se entrecruzam em alguns ou muitos momentos, algumas questões relacionadas ao mundo virtual e metaverso podem ser, guardadas as devidas proporções, transferidas para a IA e vice-versa. Uma ontologia do mundo virtual demanda uma reflexão sobre a realidade, a identidade e subjetividade na era digital e a relação conceitual entre virtualidade e realidade, a infosfera como uma nova ontologia, a técnica, estética e subjetividade na reconstrução da identidade pessoal. Uma ontologia do metaverso demanda uma reflexão acerca da relação entre simulação e presença (e a diferenciação entre presença física e digital), o universo meta como uma nova ontologia e como espaço ontogênico, relação da presença e identidade (avatares) neste mundo e, resgatando uma questão antiga, a relação entre realidade e simulação. Alguns elementos relevantes para uma ontologia do mundo virtual e do metaverso são: Tempo e temporalidade como fluxo constante e (quase) imediato Hiperconexão da vida e dos objetos - Internet das coisas e realidade aumentada Cópia digitalizada de (quase) tudo como músicas, textos, imagens, livros Socialização da vida mediante hiperlinks Acesso (quase) completo a qualquer informação ou recurso de pesquisa Desmaterialização do mundo e da identidade corporal Através destes elementos, iremos ver conceitos fundamentais que fazem parte destes mundos, como internet, World Wide Web, rede, gameficação, realidade aumentada (RA), realidade virtual (RV), realidade mista (RM), ciberespaço, metaverso entre outros. Por trás destes conceitos e elementos existem alguns princípios que fundamentam o mundo virtual e o metaverso tal como se apresentam, e suas práticas e relações procuram manifestar estes princípios. Portanto, na segunda fase da pesquisa, veremos a ética própria destes mundos e as práticas que efetivam esta ética. Antes de adentrar o objeto desta pesquisa da fase um, a ontologia do mundo virtual e do metaverso, vale a pena esclarecer o pensamento e os argumentos que estão por trás desta pesquisa como um todo. |
| Coordenador de Mesa: | Fabio Caprio Leite de Castro | ||
| 14h | https://pucrs.zoom.us/j/99165005656?pwd=j3IyPJ1vL7iGdVvhQPOABwy9DfjBB2.1 | ||
| 27/11 | Antonio Carlos da Rocha Costa | Noese e Noema na Doutrina da Ideia de Hegel: a ideia do conhecer em chave husserliana | A Ideia do Conhecer é a forma que a Lógica de Hegel atribui ao conhecimento subjetivo. Neste artigo, analisamos a noção de Ideia do Conhecer em termos das noções husserlianas de noese e noema, mostrando o lugar das mesmas na constituição daquela Ideia. Com isso, alcançamos um ponto de contato, ainda que limitado, entre a Lógica de Hegel e a Fenomenologia de Husserl. |
| 27/11 | Renata Guadagnin | Violência, corpo e alteridade: fundamentos ético-políticos do pensamento a partir de Rita Laura Segato | Diante das minhas atuais frentes de pesquisa, elegemos aqui falar da contribuição de Rita Laura Segato para a filosofia política contemporânea, com especial atenção à articulação entre violência, corpo e diferença nas sociedades patriarcais e coloniais, relacionando aos eixos práticos e teóricos das pesquisas que venho desenvolvendo através do Projeto Alteridades (CAPES) e das práticas políticas do Coletivo Território em Justiça Social. Parte-se da hipótese de que a autora formula uma crítica filosófica à modernidade ocidental ao evidenciar que o patriarcado, o racismo e o colonialismo não são fenômenos isolados. São sistemas integrados de poder que estruturam a produção social da violência. A partir do conceito de “mandato de masculinidade” proposto por Segato, visamos compreender as formas atuais de dominação e os limites do modelo jurídico punitivista na construção da justiça, aqui nos aproximando também de Angela Davis, Denise Carrascosa e Denise Ferreira da Silva. O objetivo é demonstrar como, partindo de Segato, em diálogo com as demais autoras, a filosofia do corpo e da alteridade propõe uma reconfiguração do campo político, deslocando-o da racionalidade moderna para uma racionalidade relacional e comunitária, via uma ecologia relacional e coletiva. Para tanto, desenvolvem-se os seguintes eixos: (1) a genealogia da violência como tecnologia de poder; (2) a crítica à universalidade do sujeito moderno; (3) o corpo como território político; e (4) a possibilidade de uma ética de convivência baseada na escuta, na reciprocidade e em contra-pedagogias abolicionistas. Os resultados apontam que o pensamento de Segato contribui para repensar a filosofia política latino-americana a partir de uma perspectiva decolonial, feminista e intercultural, oferecendo fundamentos para uma ética da responsabilidade e do reconhecimento das diferenças. Conclui-se que sua obra representa uma inflexão decisiva na reflexão filosófica contemporânea sobre justiça, poder e vida em comum, ampliando o horizonte crítico da filosofia política na América Latina. |
| 27/11 | Kelvin Amorim de Melo; Jane de Araújo Melo | A Crise da Ação Política: vita activa, banalidade do mal e violência normalizada em Arendt e Lispector | Este artigo investiga como a banalidade do mal, noção formulada por Hannah Arendt a partir do julgamento de Adolf Eichmann, encontra raízes filosóficas mais profundas na obra A condição humana. Ao distinguir entre vita activa e vita contemplativa, Arendt denuncia a marginalização moderna da ação política e o esvaziamento da esfera pública, elementos que preparam o terreno para a emergência de um agente como Eichmann: não um monstro, mas um homem comum, incapaz de julgar eticamente por estar imerso numa lógica burocrática e irreflexiva. Em diálogo com o conto Mineirinho, de Clarice Lispector, o artigo propõe que também no contexto brasileiro a violência estatal se banaliza por meio de estruturas que eliminam o juízo e a responsabilidade comum. A partir dos conceitos de imparcialidade situada e marginal voice, desenvolvidos por Odílio Alves Aguiar, interpretamos que Arendt e Lispector partilham uma ética narrativa que recusa tanto o universalismo abstrato quanto o engajamento doutrinário, ancorando-se na experiência vivida e na contação (telling) do sofrimento como forma de fazer política. Conclui-se que refletir e narrar, nesses moldes, são atos de resistência frente à normalização da maldade, e que a reabilitação da política exige não apenas espaços de ação, mas também formas de enunciação que tornem audível o que o autoritarismo silencia. Palavras-chave: Hannah Arendt. Clarice Lispector. Violência estatal. Imparcialidade situada. Marginal voice. Ética Narrativa. |
| 27/11 | Ricardo Rangel Guimarães | Uma breve exposição e análise crítica acerca das concepções de Falibilismo e de Conhecimento Objetivo na Filosofia da Ciência de Karl Popper à luz de conceitos fundamentais da Epistemologia Analítica Contemporânea | O objetivo central deste trabalho é apresentar, de forma bastante condensada e resumida, a concepção de conhecimento objetivo de Karl Popper, delineada e desenvolvida especialmente no seu livro “Conhecimento Objetivo”, e contrastar, através de uma análise crítica conceitual, os principais pressupostos desta perspectiva da teoria do conhecimento na filosofia da ciência popperiana com os fundamentos da epistemologia analítica contemporânea, particularmente no que tange à análise tradicional do conhecimento (ATC) como crença verdadeira justificada (à exceção dos casos de tipo Gettier, que não serão discutidos no contexto desta pesquisa) e as teorias internalistas e externalistas de justificação epistêmica. Para tanto, um breve intercurso sobre a teoria metafísica dos três mundos no referido livro de Popper e sobre a ATC e alguns de seus fundamentos lógico/conceituais será realizada, a fim de empreender esta análise, no sentido desta propiciar uma reflexão crítica sobre estas concepções à luz tanto da epistemologia analítica contemporânea quanto da filosofia da ciência popperiana em relação a estes aspectos. Conceitos como objetividade e subjetividade do conhecimento científico, falibilismo acerca da verdade e da justificação, contextos da descoberta e da justificação e um caso da história da ciência (o geocentrismo) que ilustrem estes tópicos serão discutidos, e ao final espera-se ter se exposto um brevíssimo estado da arte sobre estas questões a fim de minimamente se propor um debate argumentativo e de se discutirem os pressupostos teóricos das mesmas sob a égide dos paradigmas e das concepções propostas no escopo do presente trabalho. |
| 27/11 | Émerson dos Santos Pirola | A conjunção entre dinheiro e trabalho sob o poder disciplinar e sob o regime de controle: forma-salário e forma-dívida através de Foucault e Deleuze | Deleuze & Guattari, na esteira de Balibar, afirmam que o axioma fundamental da máquina capitalista é a conjunção entre dois fluxos desterritorializados: trabalho abstrato e riqueza líquida, força de trabalho e dinheiro. Esses fluxos se encontram e são explorados no processo produtivo para a geração de mais-valor. Entretanto, esse encontro, esse axioma básico, é realizado de modo diferenciado a depender da fase do capitalismo de que se trata. Desse modo, com recurso à Foucault, demonstramos como se institui a forma-salário no coração da sociedade disciplinar, pela sequestração do tempo de trabalho e a criação da força de trabalho por dispositivos de poder. Com Deleuze (e Lazzarato, em sua esteira), passamos à sociedade de controle e a uma sobredeterminação (Althusser) daquele axioma: aqui, a conjunção se dá entre empreendedor de si e endividamento de massas. Desse modo, argumenta-se que o empreendedorismo de si é a nova figura do trabalho abstrato, própria à sociedade de controle. |